domingo, 1 de maio de 2016

Passagem

o amor não é imediato
ele é gestado,
num coração que se abre à fecundação.

eu achava meu peito duro,
até te machuquei, com tuas investidas
voltando pontiagudas pra ti.

o tempo foi passando,
o frio indo,o calor vindo, e o frio voltando
e tu continuou.
não é mentira que se foi um pouco,
mas voltou.
foi difícil, mas aí te aceitei.
foram algumas semanas,
de um vai e vem,
de lutas e diversão.
até que tu chegou naquele ponto
que encheu meu peito de calor
e liquefez o ferro da muralha.

hoje algo muito triste aconteceu...
e na minha pequenez,
mesmo acostumada a ver casos similares,
não consigo alcançar a tua dor.
queria que todo calor que tu crias em meu peito
te abraçasse e aquecesse, protegendo teu coração.

Hoje é pra ti que escrevo,
e por ti que choro.
a tua dor é a minha dor;
que teu sofrimento se divida
e se recaia sobre mim.
que se recaia você sobre mim.
serei teu amparo e teu calor.
estou aqui.

Pantufa

domingo, 6 de março de 2016

The letter I can not send.



Dear Mr. who should not be named...

The snow wasn't all that I was expecting, I mean, I was hoping we'd have a huge snowfall in  Budapest.
I remember waiting for that during days, checking the weather forecast over and over again. Unfortunately to you, talking about that our by our.
Then suddenly, I can't remember exactly what was keeping our attention, you told me, all excited with glowing eyes, "look outside"! And for the firs time in my life, I saw the snow coming down. It was beautiful. I wish that had lasted forever. But as so many good things in life, it lasted for a night, and in two days all the snow were gone. But the cold remained! zzzz
We went outside, now I think not well prepared for the minus three celsius degrees we had to face. You froze with me for half an hour,  just because that made happy. Actually I guess that made feel - and act, sorry - like a child. It's okay, you didn't laugh at me.
Then just some few days later, you were at the platform, crying through the glass of the wagon, saying good bye. There's a word for that in portuguese, Adeus. It was one of the saddest moments in my life.I cried during the whole trip. I confess, although you already knew, I had been crying for a few days... when I looked outside at the town or just by wondering how I'd feel when the time would come...  when I wouldn't have your apartment's key anymore.
You gave me a home, not just a place to stay in. You gave me love, and I dare say, a family in a so distant country.
I loved you back while I could. Then I mistaken my own feelings and got a little bit lost in this country called Brazil.
I always said we wouldn't last long together. The truth is that now I'm not so sure anymore. And every time I ask myself about it, I feel like I'm making a fool of me.
I wish we could meet one day. I'm waiting for the day I'll be in Hungary, in Budapest, taking the train to Pécs. Living the dream once more.

With all my heart,
Jaqueline

domingo, 31 de janeiro de 2016

The truth within

I wish i was just love
You know, like a gas planet
But instead of all that gas, made of love

I wish i just loved everyone
Every living being
I wish i was just made of good thoughts
But -i'd say my mind, but it's truly me - i am mean

Some thoughts are as just disgrateful as anakin killing the young padawans
Or Frodo being taken by the ring's strength

Oh my, so many wishes i cant conqueer
So selfish
I always wondered about my failures in this world
I mistakenly looked at the outside.
Today thankfully hurting the good
I could notice the dirt inside

Making a pray, since a wish is too weak

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Ainda não definido.

Confessar ao padre, nao ajudaria
Ao psiquiatra,  nao me parece que consiga
É aqui, nas palavras, que me liberto.

Há muito, talvez não há tanto assim,
 já escrevia, mas não entendia por quê
Agora entendo... estou começando a me entender

Falsos poemas problemáticos
Reflexo que posso ver estampado
Em alguma parte de mim
Qual não sei, segundo Freud
(Não sei sobre psicanálise).

Quando eventos, um tanto que similares,
Se repetem... uma, duas, três vezes,
Há de se desconfiar de que o erro
Vem de cá  e não de lá.

Na falta de outras opções,
Só me resta resignar-me...
Como se muda a forma da chama,
Da fagulha, que move minha maquinaria?!

Tenho tentado, talvez nem tanto,
Aumentar a resiliência de minha realidade
Atitude infrutífera, pois, no final,
A dor ainda é a mesma.

Zoso

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

To the one that has made me happy (even in a dream)

The moment I'll say goodbye for the last time
I'll miss you...
I know I will.
Although my mind,
Trying to take the reason to the light,
Will say the way it will be it's the way it is,
My heart will cry knowing the truth.
I will recover. Yes.
I don't know if you'll need to
Since it's a mystery to me
The nature of your feelings.
I endeavor to be rational,
But I see I'll need to accept
I'm an emotional being.
I've been working with this discovery...
Trying to amend the broken pieces
My full of oxyciton mind leaves.
My expectations -
Against the judgement and wisdom of my conscience -
Are mine and only mine.
I hope I do not worry you.
Happiness is the feeling I want you to have.
And if you were happier for a tiny little second...
I'm cheerful with the news.

See you -
or not.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

O que foi e será.

o que resistir ao tempo
viverá.
de fato algumas coisas são imperecíveis,
a memória: nossas células cinzentas,
sinapses que nos fazem lembrar
do que foi mas também do que poderia ser.

escolhemos o caminho
ou o caminho nos escolhe
nos meandros do destino?
não sei a resposta
e muito menos se é sábio o que sabe.

aqui, quase perdida na europa central-
perdida digo em sentimentos e afeição -
há o ócio pra refletir,
mas também a distância
que põe em perspectiva a avaliação.

eu luto, eu quero que seja
a memória do que foi e continua sendo,
mas aquele faro que o sexto sentido dá,
alguma coisa pôde captar.
como não sei se escolho ou me escolhe,
vou continuar acreditando.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Fagulha de morte em meu peito.

ele não viu o que eu vi
também não sentiu o que eu senti
vai me chamar de louca
quando eu disser ao telefone que Deus
deveria mandar uma praga
que destruisse os homens -e somente eles-
todo essa miríade que chamam humanidade.
eu vi, há pouco, a capacidade
de se fazer "Humanidade".
Na época do nascimento do cordeiro
fazem, controversamente, de cordeiro
aqueles que nem entremeio a história
deveriam estar.
vi, que por uma tradição, um pernil em uma mesa - para resumir-
um ser vivo perdeu a vida
de uma forma tão indigna e dolorosa
que a tradução em letras se faz difícil.
uma morte, que nem o mais vil dos humanos
haveria de merecer.
uma morte, de um Animal,
que em meu peito se traduz
como o fim daquilo que eu considerava Humanidade
também a morte da esperança nos homens
que falham, apontam e se conduzem novamente à perversidade.
se sou parte da horda humana,
pois bem, não o queria ser desta forma
que me causa náuses
e certeza de que estou aquém de fazer.